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Libbs prevê salto na receita com a fabricação de biossimilares

Quem entra no ramo dos biossimilares precisa ter gosto pelo risco e visão global dos negócios. ""É uma operação de escala internacional"", afirma Alcebíades Athayde Junior, presidente da Libbs. A farmacêutica está construindo uma fábrica na Região Metropolitana de São Paulo para atender à demanda por medicamentos modernos e mais eficazes no tratamento de doenças autoimunes e câncer. O empreendimento está consumindo R$ 500 milhões, financiados com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Finep.

""Cada instituição emprestou, a taxas competitivas, metade do total orçado"", comenta Athayde Junior. Na avaliação do empresário, as condições especiais de crédito estimularam a Libbs, de capital nacional, a ingressar no ramo dos biossimilares.

Como resultado, Athayde Junior espera um salto na receita. O plano de negócios estima faturamento de R$ 1,4 bilhão com a nova linha, em um prazo de cinco anos após a entrada comercial da produção. Para se ter uma ideia, em 2015 a empresa espera somar receitas de R$ 1,3 bilhão.

A obra civil está quase pronta e a Libbs já iniciou a importação dos equipamentos. A previsão é que o primeiro lote, de teste, seja produzido no próximo ano. ""Depois deste lote, temos de esperar um ano para o processo de estabilização do produto"", explica. O próximo passo, é aguardar o sinal verde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a operação comercial. ""Cumprindo todas as etapas, estaremos prontos para vender em 2017"", afirma.

A rota tecnológica escolhida é novidade no Brasil. A tecnologia de uso único (ou single one, em inglês) permite revestir, com uma superfície plástica, toda a linha de produção, tornando o processo de higienização e esterilização mais rápido e barato. Na prática, permite produzir mais de um medicamento na mesma planta, sem contaminação. A tecnologia tradicional limita a estrutura a um único medicamento.

""Pretendemos aprovar a fábrica junto aos órgãos competentes no Brasil, nos EUA e na Europa. Assim, estaremos prontos para o mercado global"", comenta Athayde Junior. A capacidade de produção da fábrica de medicamentos biotecnológicos será de 24 mil litros.

O executivo explica que a ""flexibilidade"" na produção permitirá lançar medicamentos mais rapidamente no mercado, abastecendo o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede privada com remédios mais eficazes. Os planos envolvem a produção de cinco medicamentos de alto custo, hoje importados.

Entre as vantagens para o Brasil de promover uma política de desenvolvimento produtivo, Athayde destaca o fortalecimento da indústria nacional e a transferência de tecnologia aos laboratórios públicos - parte do contrato de quem ingressa nas ações de estímulo. ""Vamos trabalhar com o Instituto Butantan, que dominará toda a tecnologia utilizada em nossa fábrica de biossimilares"", informa.

A obrigatoriedade é, segundo ele, estratégica. O governo está investindo capital para estimular a produção de medicamentos biotecnológicos e precisa garantir a continuidade. ""Se uma empresa privada desiste de fabricar o remédio, o laboratório público pode assumir a encomenda, porque domina a tecnologia"", diz.


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