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Uso racional de energia reduz impactos ambientais

Eficiência energética e sustentabilidade andam de mãos dadas. No caso de empreendimentos de grande porte, como hospitais, essa relação é ainda mais sensível. O alto consumo de energia durante 24 horas por dia e pressões da demanda fazem com que o consumo de energia elétrica seja crucial em hospitais. Por isso, o que pode ser feito quando pensamos em uso racional com vistas a reduzir o impacto do empreendimento sobre o meio ambiente? Diferentemente de muitas indústrias e edifícios de serviços, hospitais não têm o poder de decidir reduzir o uso de lâmpadas, ar-condicionado e computadores em determinados momentos do dia. Por isso, cortar gastos não é uma tarefa simples. 


Para sair desse impasse é preciso usar a tecnologia a favor – tanto na área técnica quanto financeira e de gestão. Com conhecimento pormenorizado a respeito do real uso de energia dentro do hospital, responsabilidade e criatividade, é possível reduzir os gastos sem prejuízo à atividade. 


Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que estar bem-preparado em termos de eficiência energética implica pensar não só na energia fornecida pela rede pública, mas também em gás, água e diesel para as usinas geradoras. A gestão desses recursos precisa estar integrada em um único plano energético, que leve em conta os gastos reais do passado, projeções e margens, tendo em vista eventuais aumentos de demanda – como no caso da pandemia de Covid-19, que fez aumentar subitamente a demanda por serviços. 


Para hospitais de grande porte que não estejam no mercado cativo uma solução financeira na gestão energética é a compra no mercado livre e de quem tiver um preço mais baixo. Consultorias auxiliam as instituições a escolher o melhor modelo de compra e venda. A economia pode chegar a R$ 5 milhões anuais.


Ao lado dessa economia, a instituição deve pensar na tecnologia e demais recursos físicos. Equipamentos mais eficientes, medições nos locais adequados e automatização da iluminação podem trabalhar a favor do relógio de energia. O gerenciamento predial que priorize a economia também deve ter atenção especial com o sistema de ar-condicionado, responsáveis por cerca de 50% do gasto de energia em hospitais. 


Case de sucesso 


Com práticas de sustentabilidade consolidadas, o Hospital Português (HP) vem colhendo os resultados de um dos seus investimentos mais recentes na área: a contratação de energia elétrica procedente de fontes limpas e 100% renováveis, através do Ambiente de Contratação Livre (ACL). Em seis meses de adesão a esse modelo de mercado, a Instituição já conseguiu atingir uma economia de 13% no consumo de energia. O desempenho é avaliado de forma muito positiva pela gestão hospitalar, uma vez que se aproxima da meta de redução tarifária estipulada para o período de vigência contratual.


“Projetamos o retorno para esse investimento dentro de seis anos, com uma redução progressiva em torno de 20% dos custos com abastecimento das unidades e serviços do Hospital, Centro Médico HP e da Maternidade Santamaria. A queda de 13% nos custos não só valida a decisão de sair do mercado cativo, ou Ambiente de Contratação Regulado (ACR), e aderir ao mercado livre de energia elétrica, como também evidencia o potencial de economia, a longo prazo”, observa o presidente do HP, Orlando Manuel Cunha da Silva.


A estratégia de gestão incentiva o desenvolvimento institucional com autossustentabilidade e produz ainda outras vantagens agregadas – autonomia na tomada de decisões, livre negociação de preços, contratação direta das fontes geradoras, redução dos custos fixos atrelados ao abastecimento, desvinculação da tarifação sazonal (afetada por mudanças climáticas), sustentabilidade e eficiência energética, incentivo aos produtores de energia limpa (obtida através de fontes alternativas livres de poluição), reafirmação da Política de Meio Ambiente da Instituição e do compromisso com a sustentabilidade, dentre outros.


Ao exercer os direitos de consumidor livre especial, o HP estabeleceu os termos e o prazo do contrato, registrado na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), de forma personalizada, ou seja, considerando o histórico de consumo e optando pelo fornecimento exclusivo de energia incentivada – oriunda de pequenas centrais hidrelétricas, parques eólicos, de biomassa, de biogás ou de energia solar. A Instituição também investe na contratação de empresa especializada em comercializações desse mercado, para ampliar a perspectiva de economia futura. A consultoria presta suporte à gestão, viabilizando melhores condições de compra de energia elétrica, a qualquer tempo; e eventuais ajustes entre os volumes de energia contratados e medidos, evitando excedentes.


De acordo com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), nos últimos 16 anos, os consumidores do mercado livre economizaram aproximadamente 118 bilhões de reais nas contas de eletricidade. Atualmente, esse mercado representa 30% de toda a energia elétrica consumida no Brasil e atende a cerca de seis mil consumidores livres e especiais, que estão entre os maiores do país. A Abraceel também afirma que os preços da energia no mercado livre foram menores em torno de 29% que as tarifas reguladas das distribuidoras no mesmo período.



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