Perspectiva significa previsão de maior demora na volta ao crescimento.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s informou nesta terça-feira (28) que manteve em ``BBB-`` a nota de crédito do Brasil, mas alterou a perspectiva para negativa. A nota do país segue classificada como “grau de investimento”, mas com a revisão o país ficou mais perto de perder o cobiçado selo de ``bom pagador``.

No mercado financeiro, a nota de um país funciona como um ``certificado de segurança`` que as agências de classificação dão a países que elas consideram bons pagadores.

A nota ``BBB-`` é o último degrau do chamado grau de investimento concedido a países com baixo risco de calotes a investidores financeiros internacionais.

A perspectiva negativa significa a tendência de rebaixamento da nota do Brasil no futuro, o que pode fazer com que a dívida do país caia para a categoria ``especulativa``.

A agência acredita que há uma probabilidade maior que uma em três de que haverá mais correções dada a “dinâmica política fluida” e de que o retorno a uma trajetória de crescimento firme vai demorar mais que o esperado.

'Riscos de piora no Brasil cresceram'

A Standard and Poor's teme, inclusive, uma contração de 2% do PIB brasileiro em 2015, e um crescimento zero no ano que vem, o que implicaria um déficit orçamentário de 7,5% do PIB nesse ano, em comparação aos 6,1% do ano passado, antes de situar-se em 5,2% em 2017.

“Desde 23 de março de 2015, quando reafirmamos os ratings pela última vez, acreditamos que os riscos de piora no Brasil cresceram. Revisamos a perspectiva para negativa porque, apesar das amplas mudanças a caminho, que continuamos a acreditar que têm o apoio da presidente, os riscos para sua execução cresceram. Em nosso ponto de vista, esses riscos vêm tanto da frente econômica quanto da política”, diz a S&P.

Um novo rebaixamento da nota pela S&P faria com que o Brasil voltasse ao grau especulativo. Na classificação das outras duas principais agências de classificação de risco (Fitch e Moodys), o Brasil segue em melhor situação (entenda as classificações no quadro mais abaixo).

A S&P foi a primeira a conceder o grau de investimento ao país, em abril de 2008.

``classificação

Circunstâncias desafiadoras
Na análise, a agência ressalta que o Brasil enfrenta “circunstâncias políticas e econômicas desafiadoras” durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

“O número de investigações de corrupção envolvendo certos políticos e empresas está crescentemente pesando sobre as perspectivas fiscais e econômicas do Brasil, colocando em risco a implementação efetiva de medidas, particularmente no Congresso”, diz a agência.

A agência ressalta que a coesão política do Congresso está em risco, e vê menos apoio do Congresso para aprovar as medidas de ajuste fiscal. A possibilidade de impeachment de Dilma “ressalta os desafios que a presidente tem para conseguir apoio consistente para a correção de curso das políticas e a retomada da economia”.

Fitch também mudou perspectiva
Em abril, a Fitch também decidiu manter manter a nota de crédito do Brasil e alterar a perspectiva para negativa. De acordo com a agência, o contínuo baixo desempenho da economia, os crescentes desequilíbrios macroeconômicos, a deterioração fiscal e o aumento da dívida pública estão aumentando a pressão negativa sobre o perfil de crédito soberano do país.

``Enquanto o governo começou um processo de ajuste macroeconômico para impulsionar a credibilidade e a confiança, riscos negativos relacionados à sua implementação efetiva e durabilidade persistem, especialmente no contexto de um ambiente econômico e político desafiador``, diz a Fitch em comunicado.

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Notícias

Standard & Poor's muda perspectiva de nota do Brasil para negativa

Nota foi mantida em BBB- e segue classificada como 'grau de investimento'.
Perspectiva significa previsão de maior demora na volta ao crescimento.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s informou nesta terça-feira (28) que manteve em ""BBB-"" a nota de crédito do Brasil, mas alterou a perspectiva para negativa. A nota do país segue classificada como “grau de investimento”, mas com a revisão o país ficou mais perto de perder o cobiçado selo de ""bom pagador"".

No mercado financeiro, a nota de um país funciona como um ""certificado de segurança"" que as agências de classificação dão a países que elas consideram bons pagadores.

A nota ""BBB-"" é o último degrau do chamado grau de investimento concedido a países com baixo risco de calotes a investidores financeiros internacionais.

A perspectiva negativa significa a tendência de rebaixamento da nota do Brasil no futuro, o que pode fazer com que a dívida do país caia para a categoria ""especulativa"".

A agência acredita que há uma probabilidade maior que uma em três de que haverá mais correções dada a “dinâmica política fluida” e de que o retorno a uma trajetória de crescimento firme vai demorar mais que o esperado.

'Riscos de piora no Brasil cresceram'

A Standard and Poor's teme, inclusive, uma contração de 2% do PIB brasileiro em 2015, e um crescimento zero no ano que vem, o que implicaria um déficit orçamentário de 7,5% do PIB nesse ano, em comparação aos 6,1% do ano passado, antes de situar-se em 5,2% em 2017.

“Desde 23 de março de 2015, quando reafirmamos os ratings pela última vez, acreditamos que os riscos de piora no Brasil cresceram. Revisamos a perspectiva para negativa porque, apesar das amplas mudanças a caminho, que continuamos a acreditar que têm o apoio da presidente, os riscos para sua execução cresceram. Em nosso ponto de vista, esses riscos vêm tanto da frente econômica quanto da política”, diz a S&P.

Um novo rebaixamento da nota pela S&P faria com que o Brasil voltasse ao grau especulativo. Na classificação das outras duas principais agências de classificação de risco (Fitch e Moodys), o Brasil segue em melhor situação (entenda as classificações no quadro mais abaixo).

A S&P foi a primeira a conceder o grau de investimento ao país, em abril de 2008.

Circunstâncias desafiadoras
Na análise, a agência ressalta que o Brasil enfrenta “circunstâncias políticas e econômicas desafiadoras” durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

“O número de investigações de corrupção envolvendo certos políticos e empresas está crescentemente pesando sobre as perspectivas fiscais e econômicas do Brasil, colocando em risco a implementação efetiva de medidas, particularmente no Congresso”, diz a agência.

A agência ressalta que a coesão política do Congresso está em risco, e vê menos apoio do Congresso para aprovar as medidas de ajuste fiscal. A possibilidade de impeachment de Dilma “ressalta os desafios que a presidente tem para conseguir apoio consistente para a correção de curso das políticas e a retomada da economia”.

Fitch também mudou perspectiva
Em abril, a Fitch também decidiu manter manter a nota de crédito do Brasil e alterar a perspectiva para negativa. De acordo com a agência, o contínuo baixo desempenho da economia, os crescentes desequilíbrios macroeconômicos, a deterioração fiscal e o aumento da dívida pública estão aumentando a pressão negativa sobre o perfil de crédito soberano do país.

""Enquanto o governo começou um processo de ajuste macroeconômico para impulsionar a credibilidade e a confiança, riscos negativos relacionados à sua implementação efetiva e durabilidade persistem, especialmente no contexto de um ambiente econômico e político desafiador"", diz a Fitch em comunicado.


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