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A força feminina na Transformação Digital

Eliana Emediato Azambuja, Coordenadora-Geral de Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações – MCTI, é a entrevistada da coluna “Mulheres em Foco” desta edição do Integra. Graduada em Administração de Empresas, é responsável pela Câmara Brasileira da Indústria 4.0 no Ministério. Possui experiência na área de Gestão, com ênfase em Política e Planejamento Governamental, atuando nos temas Indústria 4.0, Gestão da Inovação e Cooperação Internacional. 

1. Conte um pouco sobre sua trajetória profissional até chegar ao Ministério.

Eliana: Antes de trabalhar no MCTI fui gerente de banco ainda quando estava na faculdade de Administração. Participei de um programa de trainee no antigo Banco Real, atual Santander, e fiz parte de um grupo de mulheres que vieram a se tornar as primeiras gerentes de banco no país. Foi meu primeiro grande desafio aos 20 anos. Em seguida, fui para uma instituição Federal de Ciência e Tecnologia também em Brasília onde comecei a trabalhar com gerenciamento de projetos de pesquisa em Ciência, Tecnologia e Inovação. 

2. Quais foram os maiores desafios que enfrentou em sua trajetória profissional?

Eliana: Sempre me envolvi com grandes programas e projetos. Ser gerente de banco aos 20 anos foi um desafio enorme que me trouxe amadurecimento muito rápido e coragem para aceitar participar de outras atividades igualmente desafiadoras. 

Logo depois que entrei no MCTI, tive que substituir um colega que teve que sair repentinamente e passei a coordenar um programa nacional de gestão da qualidade, dentro do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, um dos maiores programas governamentais da década de 1990. 

Era um tema novo no Brasil, com grande interesse dos setores público e privado e coordenar aquele programa foi o maior aprendizado que tive na minha vida profissional. Para gerenciar o programa tive que aprender muita coisa. Não só a parte técnica que aprendi com muitos cursos no Brasil e no exterior, como também questões relacionais, como liderança, negociação, oratória em público, etc. Foi nesse programa de gestão da qualidade que aprendi a importância de fortalecer a equipe para um bom trabalho de liderança.

Depois dessa experiência, sempre me envolvi com temas novos e de grande mobilização e desafios, como o que estou envolvida agora.

3.  Enfrentou dificuldades para ser aceita por ser mulher?

Eliana: Sim. Desde o começo. Fazer treinamento intensivo de meses para chegar a um cargo que os homens alcançavam e ainda alcançam sem maiores dificuldades. Recebi muitas críticas, até de colegas próximos, quando conquistei meu primeiro cargo de chefia no serviço público. Enfrentei muitas vezes desconfiança sobre minha capacidade de realização de atividades e até mesmo insinuações de que meu cargo era algum tipo de favorecimento, mesmo tendo apresentado boa performance em situações anteriores. Vi colegas homens sendo nomeados para posições de meu interesse, mesmo eu possuindo mais conhecimento da área. Enfim, enfrentei várias experiências desse tipo. Essas são dificuldades que acredito que muitas mulheres enfrentam ainda hoje. É comum o reconhecimento da competência técnica das mulheres, até com elogios públicos, mas ainda existe a dificuldade de chegarmos a cargos de liderança. Na área pública, o número de mulheres em posição de liderança é infinitamente inferior ao número de homens. Sempre acreditei que as mulheres precisam se esforçar muito mais que os homens para chegarem aos cargos que, na maioria das vezes, são ocupados por eles.

4. Como você avalia a participação feminina em sua área de especialidade?

Eliana:  No ambiente de transformação digital e ainda com as instituições que me relaciono, a participação feminina se dá com grande competência. São inúmeras as mulheres que estão à frente nas questões técnicas envolvidas com esse tema. Mas, infelizmente, são poucas em cargos de liderança.

5. Tem algum conselho para outras mulheres que pretendem ingressar na carreira de sua especialidade?

Eliana:  Estudar sempre. Não perder a curiosidade e a vontade de aprender. Ter interesse em assuntos diversos. Ler muito. Não ter medo e enfrentar os desafios, pois é muito gratificante saber que conseguimos ser líderes e ter sucesso na nossa área de competência.

6. Muito já evoluiu, mas que tipo de discussão ou caminhos ainda devem ser seguidos para que as mulheres tenham mais oportunidades de liderança e visibilidade nos diversos setores (governo, academia, indústria)?

Eliana:  Na minha opinião, apesar da dificuldade de as mulheres serem colocadas em posição de liderança, elas precisam entender a importância do seu papel e buscarem se preparar muito e sempre. Só com a competência e o preparo é que nós vamos conseguir mais oportunidades. 



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