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A saúde e suas siglas

Pesquisas mostram que a saúde é a principal preocupação dos brasileiros, mas nem sempre a agenda do setor é atraente ou fácil de ser compreendida pela grande maioria da população.

Muitas vezes insistimos em falar em siglas ou nomes de tecnologias e até de modelos de gestão como se todos os nossos interlocutores tivessem o mesmo nível de conhecimento ou o mesmo interesse que os profissionais da área de saúde. Além disso, não raramente, observamos tecnologias e ferramentas sendo apresentadas de maneira equivocada, como se elas fossem a solução de todos os problemas.

É o que está ocorrendo no Brasil em relação ao DRG (da sigla em inglês Grupos de Diagnósticos Relacionados). Alguns segmentos da área de saúde defendem este recurso como um redutor –quase milagroso– de custos hospitalares, no entanto, DRG é muito mais do que isso.

Na realidade, trata-se de uma ferramenta de gestão, desenvolvida a partir das décadas de 1960 e 1970 pela Universidade de Yale, a pedido dos administradores de saúde dos Estados Unidos.

O intuito, na época, era de se criar uma definição de ""produto hospitalar"", capaz de gerar parâmetros que permitissem avaliar e comparar o desempenho das instituições norte-americanas. Esse novo conceito estava totalmente na contramão da ideia tradicional de que os hospitais possuem tantos produtos quanto o número de pacientes tratados. No entanto, a necessidade de definir indicadores de eficiência, qualidade e valoração dos serviços hospitalares apontava para uma mudança.

Assim, partindo do princípio de que, embora único, cada paciente possui características demográficas, diagnósticas e terapêuticas comuns a outros, a solução foi desenvolver o conceito de grupos que tivessem semelhanças em seus perfis clínicos e de tratamentos.

O primeiro registro que se tem desse tipo de mensuração data de 1960, no Reino Unido, envolvendo 177 hospitais de pacientes agudos. Em 1985, os cientistas de Yale realizaram uma avaliação dos sistemas de classificação que agrupavam os pacientes tanto pelo diagnóstico principal, como pelas suas variáveis e pelos diagnósticos adicionais.

A entrada do DRG na Europa se deu em Portugal, em 1984, seguido pela França (1991), Irlanda e Inglaterra (no mesmo ano de 1992), Finlândia (1995), Espanha (1996), apenas para citar os primeiros países. Hoje, praticamente toda a Europa, assim como Estados Unidos e Austrália, utiliza essa ferramenta de gestão.

E à medida que foi sendo implementada, foi se aperfeiçoando e ganhando contornos mais precisos. Os 7.960 grupos inicialmente classificados há 50 anos, foram reduzidos hoje a uma média de 470 grupos de diagnósticos relacionados, o que facilitou a análise estatística e aumentou a eficiência da gestão.

No Brasil, ainda estamos dando os primeiros passos nesse sentido, embora alguns dos nossos hospitais associados de referência já tenham iniciado o processo em 2013. O caminho a ser percorrido é relativamente longo. A experiência internacional nos mostra que são necessários de cinco a dez anos para a sua total implantação.

Mas, se não tomarmos a dianteira desta iniciativa –como hoje estamos fazendo com a criação de parcerias estratégicas e formação de um projeto piloto com um grupo de associados– estaremos sempre à mercê dos interesses alheios que, ao falar em siglas, em nada beneficiam os nossos associados e a população brasileira.


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